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Gisele Bicaletto - Publicado em 05-11-2026 13:00
App criado na UFSCar estima hemoglobina em recém-nascidos
App passará por novas etapas de validação em 2027 (Divulgação)
App passará por novas etapas de validação em 2027 (Divulgação)
Uma pesquisa desenvolvida e coordenada pela UFSCar obteve, recentemente, o registro de programa de computador no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) para o aplicativo Smart Neocare. O app é usado para estimação não invasiva de níveis de hemoglobina em recém-nascidos.

O trabalho foi coordenado pela professora Cristina Ortiz Valete, do Departamento de Medicina (DMed) da UFSCar, e contou com a parceria do Instituto Federal de São Paulo (IFSP) de Jacareí; Instituto de Estudos Avançados do Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial da Força Aérea Brasileira (FAB); e do Departamento de Engenharia Eletrônica Aplicada do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA). 

A hemoglobina é a proteína presente nas hemácias, que são as células vermelhas do sangue. O ferro se liga à hemoglobina, sendo um elemento importante para sua síntese. "O oxigênio no nosso organismo é carregado pela hemoglobina, daí a importância da sua dosagem. Quando há redução da hemoglobina, a oxigenação tecidual pode estar comprometida", explica a docente da UFSCar sobre a importância da dosagem dessa proteína.

Tradicionalmente, a checagem da hemoglobina é feita a partir de exames de sangue, o que causa dor e incômodo aos bebês pequenos. "Como neonatologista e pesquisadora em dor e anemia neonatal, a partir de outros estudos desenvolvidos em adultos, tive a idéia de investigar se seria possível, pela coloração dos dedos das mãos, estimar a concentração de hemoglobina dos bebês", explica Cristina Valete sobre a origem do projeto.

O app foi desenvolvido para estimar a dosagem sérica de hemoglobina, sem precisar de coleta de sangue. A estimativa se dá pela obtenção de uma foto do dedinho do bebê, com uso do celular. "O algoritmo compara a cor obtida com a estimativa de hemoglobina que ele tem no banco de dados e faz a estimativa do seu valor", detalha. Valete indica que, na comparação com resultados de exames de sangue, o modelo desenvolvido tem sensibilidade e especificidade de 95%, indicando a eficiência da sua medição. 

Após o registro obtido no INPI, o próximo passo do projeto é a validação do modelo pela testagem, que está programada para 2027. Projeto aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da UFSCar (CAAE: 45505621.6.0000.5504).